Milha XXXIII

A milha XXXIII desenvolve-se ao longo de 1480 m entre o lugar da Ponte Feia e a Portela do Homem, atravessando a densa floresta protegida da Mata de Albergaria.

O início da milha localiza-se junto da chamada Casa do Académico, onde se concentram 13 miliários: três anepígrafos, dois ilegíveis e oito dedicados aos imperadores Maximino e Máximo (235 d.C.), Décio (250 d.C.), Tácito (275-276 d.C.), dois a Carino (283-285 d.C.), Galério (305-311 d.C.), um filho de Constantino (337-364 d.C.) e Magnêncio (350-353 d.C.). Marcos Ferreira dá conta ainda da existência de mais dois miliários, um dedicado a Caracala e outro a Maximino, ambos em paradeiro desconhecido. 

 

A cerca de 345 m encontram-se, na passagem do Rio Homem, as ruínas da Ponte de São Miguel, aquela que terá sido a maior e mais cuidada obra de arte romana do traçado português da via. Desmontada, tal como as anteriores, em 1640, no quadro da Guerra da Restauração, sobrevivem os encostos laterais, estruturas imponentes pela sua robustez, isodomia e qualidade estética. A dimensão do vão e a altura das margens exige a existência de um desaparecido pegão central, que articularia os dois arcos sobre que assentaria o tabuleiro. No local da sua predecessora romana foi colocada recentemente uma outra ponte, com tabuleiro em madeira. 

Na margem direita o traçado prossegue por carreiro estreito em direção à antiga casa florestal de São Miguel, e daí até à Chã ou Curral de São Miguel já em via pavimentada com lajes, subindo depois a direito até ao antigo posto fronteiriço da Portela do Homem, embora se admita que o traçado original pudesse seguir de modo mais suave pela bordadura da chã, mais próximo da margem do rio.