Milha XXIII

A milha XXIII começa no lugar de Esporões, na encosta do lugar de Padrós, perfazendo um total de 1668 m. A assinalar esta milha encontram-se três miliários, um dedicado a Juliano (361-363 d.C.) e dois anepígrafos.

Esta milha marca o início da descida da Geira para a Veiga de Cubide e é uma das que apresenta atualmente maiores dificuldades à circulação. Para além de circuitos em pendentes acentuadas, pouco comuns na planificação viária romana, existe uma extensa área da milha cujo traçado se encontra perdido.

Aos 390 m, a via é cortada pela estada municipal 535 e, a partir daqui, o traçado atualmente marcado é a representação do trilho possível até aos 1600 m. Com efeito, depois do corte da EM 535, o traçado segue por um caminho de pé posto bastante degradado, paralelo a um eucaliptal, durante cerca de 225 m, momento em que encontra uma descida abrupta que nos conduz a um parque de merendas, paralelo à EN 307, que evoca a via romana.

A EN 307 cortou também a milha XXIII e é preciso atravessá-la para retomar o trilho, que volta a encontrar uma descida acentuada, até entroncar no caminho de serventia de uma bouça de eucalipto. O trilho segue por entre socalcos, que a dado momento terão absorvido o caminho, encontrando-se aqui o caminho bastante degradado e reduzido, em muitas partes, novamente a um caminho de pé posto.

A sensivelmente 1350 m do início da milha, a via foi destruída pela chamada Quebrada de Cabaninhas, um deslizamento de terras que terá acontecido no séc. XIX, e que, do ponto de vista estrutural, criou uma rutura na Geira que nunca foi resolvida, registando-se alguma instabilidade nos taludes, pelo que se desaconselha a circulação neste local.

Depois da área da quebrada, reencontra-se o traçado da via, que prossegue, agora sem dificuldades, até à milha seguinte.