Terras de Bouro. Alunos da UMinho realizam escavações arqueológicas na Geira Romana

  • Julho 21, 2025

Alunos da Universidade do Minho estiveram, nas últimas semanas, em Terras de Bouro a proceder a investigações arqueológicas adicionais na Geira Romana.
Trata-se de um troço de 30km da via que ligava Braga a Astorga, onde está a maior concentração de marcos miliários do noroeste peninsular, além de pontes, muros e calçadas quase intactos.
O município de Terras de Bouro apoia no alojamento, refeições e transporte da equipa da professora Helena Paula Carvalho, cedendo o Núcleo Museológico de Campo do Gerês para gabinete e depósito do material de prospeção.
«Apoiada pela tutela, a colaboração cruza o ensino, a investigação e a valorização do património», avança a Universidade do Minho, em comunicado.

ESCAVAÇÕES EM TODO O PAÍS

Este é apenas um grupo de cerca de uma centena de estudantes de Arqueologia da Universidade do Minho que está a realizar este mês trabalhos de campo em Albergaria-a-Velha (distrito de Aveiro), Arcos de Valdevez (distrito de Viana do Castelo), Leiria (distrito de Leiria), Braga, Guimarães, Terras de Bouro e Vila Verde (distrito de Braga).
Aqueles alunos de licenciatura, mestrado e doutoramento têm escavado e analisado vestígios de várias épocas históricas, no âmbito de estágios supervisionados e protocolados com os municípios.
Nas atividades participam ainda, a nível extracurricular, estudantes visitantes das universidades Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS, Brasil) e Múrcia (Espanha).
Este tipo de intervenções tem percorrido a cada verão várias geografias, tendo da parte da UMinho o apoio do Departamento de História, do Instituto de Ciências Sociais, da Unidade de Arqueologia e do Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT).

PONTOS DE INVESTIGAÇÃO 

Em Albergaria-a-Velha, as campanhas decorrem desde 2014 no monte de São Julião, tendo-se identificado restos da estrutura que delimitava o povoado há três mil anos, um monumento funerário (mamoa) e 52.000 fragmentos de cerâmica. O foco agora é ao redor da mamoa, devido à sua complexidade e aos múltiplos usos do espaço desde a Pré-História. A ação envolve ainda o Centro de Arqueologia de Arouca, inclui uma exposição na Junta de Freguesia da Branca e a 24 de julho, Dia Internacional da Arqueologia, o público é convidado a contactar os investigadores.
Nos Arcos de Valdevez estuda-se desde 2018 a paisagem na freguesia do Extremo e já se identificou três fortes do século XVII. Este verão avalia-se a formação de socalcos no Campo da Cancela, vestígios e sementes antigas, práticas agrícolas e topónimos (caminhos, moinhos, canais), diz Rebeca Blanco-Rotea. O Extremo atrai até alunos de Arquitetura da UMinho e cientistas dos projetos europeus Land-CST, Rurarq, Cultur-Monts e New Ruralities, tendo apoios como os programas Erasmus+ e Interreg, a aliança Arqus, a Xunta de Galicia e o laboratório IN2PAST.
Em Leiria, os alunos da UMinho estreiam-se este ano no abrigo da Buraca da Moira, na freguesia da Boa Vista. Esta campanha junto ao vale do rio Lis iniciou-se em 2015 e quer entender a ocupação local desde os caçadores-recoletores do Paleolítico aos aldeamentos neolíticos e as necrópoles associadas. Por exemplo, em dois metros de cota já se detetou 4000 vestígios humanos, desde dentes a diversos ossos, além de artefactos e ecofactos. O projeto envolve também as universidades de Lisboa, Autónoma de Lisboa, do Algarve e de Tulane (EUA).
No centro de Braga, as escavações decorrem no topo da Colina da Cividade e visam compreender a organização e cronologia daquelas estruturas da cidade de Bracara Augusta, entre os séculos I e VII. A professora Fernanda Magalhães junta este ano uma escola de verão sobre cultura material e educação patrimonial, com colegas os colegas da UFMS e crianças de Vila Verde. Naquela colina estudada pela UMinho desde os anos 70 e que inclui um teatro e umas termas romanos, a autarquia prevê a musealização do espaço, um centro interpretativo e um parque urbano.
Na citânia de Briteiros, em Guimarães, os estudantes realizaram a manutenção do balneário sul (Pedra Formosa), das coberturas de colmo e dos pavimentos e proteções, explicou o arqueólogo Gonçalo Cruz. Segue-se a escavação de escombreiras no vizinho castro de Sabroso, na expetativa de encontrar materiais cerâmicos, líticos e metálicos. O trabalho centra-se entre as 6h00 e as 13h00, face ao calor, e tem o apoio da União de Freguesias e da Casa do Povo local, bem como da Sociedade Martins Sarmento.

Recorte Imprensa – Fonte: O Amarense